quinta-feira, setembro 23, 2010

If You Never Come to Me

"There's no use
Of a moonlight glow
Or the peaks where winter snows

What's the use of the waves that will break
In the cool of the evening
What is the evening
Without you
It's nothing

It may be
You will never come
If you never come to me
What's the use of my wonderful dreams
And why would they need me
Where would they lead me
Without you
To nowhere

Just nowhere"

quarta-feira, setembro 15, 2010

Pensou em tudo o que ela disse. Não quis ser cruel e dizer o que estava na sua cabeça. Apenas, arriscou, sabia que a outra ia rir e não entenderia sua poesia:
"Ah, acho que pela força no hábito faço assim. Nunca coloco só os pézinhos na água, tenho que mergulhar de uma vez. Nunca saí de uma água gelada, por medo do frio. Sou assim, fico ali curtindo até onde puder, depois me seco. Faço o mesmo com minhas lágrimas. Tenho algumas toalhas ali, esperando o momento, se vier."
E sorriu. A outra, sorriu também. Não quis saber o que aquele sorriso significava. Só quer saber que o sorriso dela, agora, existe.

terça-feira, setembro 14, 2010

Ao meu Pai.



Pai, 10 anos que te levaram embora. Dizem, as vezes, "ele se foi". Mas você foi levado, né? Arrancado.
Passou rápido, mas nada indolor. E eu escrever hoje, logo no aniversário de morte, é até meio esquisito, já que não houve um dia sequer nesses 3650 dias que eu não tenha pensado em você.
Mas, tenho certeza, você sofre ao me ver triste, então, vou te contar algumas coisas que eu aprendi e estou sentindo e tenho certeza que você vai ficar contente em saber. Tá, eu sei que você me assiste todos esses dias, e observa cada movimento, mas eu quero te contar só pra ter certeza que você reparou nesses detalhes.
Eu puxei a você. É, você já sabia disso quando se foi, mas eu ainda sou muito parecida com você. Penso que tudo o que você me ensinou é como Princípios constitucionais, norteiam todo o entendimento que tenho sobre a vida e me ajuda a aplicar nela as "leis". Cláusulas Pétreas, não vão mudar, o seu amor me marcou de tal forma que é impossível eu me ver dissociada de seu jeito de ser. É engraçado eu falar de Direito com você. Naquela época, fazer Direito era algo tão distante, nem sei se você cogitava a idéia que eu fizesse. Acho Direito chato pra caramba, Pai. Não sei como você gostava daquilo, e o quanto gostava, pois tudo parece tão frio, distante e mantenedor das injustiças, tão diferente de você! Calma, eu não sou tão infeliz assim com o que eu faço quanto parece. Sou só um pouco, mas vou resolver isso aí, fica tranquilo. Eu até consegui tirar a nota 10, com louvor, na minha Monografia de Conclusão de Curso, olha só!
Aliás, virei uma Mulher da "zorra", como dizia meu amigo Dandan. Ele morava naquela casa em frente a banca de revistas onde você estacionava o Jipe Azul, lembra? Achei ele na Internet, depois de tanto tempo. (Achei taaanta coisa legal na Internet, Pai. Mas sempre com muito juízo, pra separar joio do trigo. Gente muito boa que você ia gostar de conhecer) Uma mulher que consegue resolver muitas das coisas de sua vida. Não tão chorona quanto você, mas bastante sensível. E segura. Sei de meus defeitos e sofro com eles, mas tem tanta gente que gosta de mim que acho que dá pra eu passar com eles, numa boa. É aquela mesma família linda que você deixou, um pouco maior, mas daquele jeito delicioso de sempre.
Vivo descalça igual a você, mas amo comprar sapatos, igual a minha mãe. Meu dedo mindinho continua lindo, e hoje desfila os esmaltes da moda, você ia rir. Tenho uma cachorra linda que você ia amar e ia com você correr muuuito nos campos.Tanta música legal pra você assobiar, Pai. Acredita que até hoje não aprendi a assobiar?
O que mais? Ah, Pai, tanta coisa pra eu te falar. Não quero chorar escrevendo esse texto. Não vou. Eu estou feliz nesse momento e, muito embora a saudade doa muito, eu quero que você participe comigo dessas coisas boas aqui.
Te amo muito. Mais do que você pode imaginar.

domingo, setembro 12, 2010

Nasceu numa caverna. Tinha vista pro Vale e um lago azul, onde a luz batia às 11:43. Lindo lá, tinha muita coisa, mas ainda assim era uma caverna. E as outras crianças vinham lhe visitar, por volta das 11:30, aproveitar o lago, curtir, rir com ela que sempre foi engraçada.
Mas nos tempos de festivais, onde era preciso ir até o Vale para ouvir a música e sentir os cheiros das comidas feitas para os Deuses, as outras iam e a Menina continuava na Caverna, não podia sair. Seus pais traziam as mais belas flores, o que a deixava muito contente.
Mas os festivais foram se intensificando, ela foi crescendo, mergulhada em seus hobbies na caverna. Entrando em contato com o mundo pela caverna, por pássaros, morcegos e cartas. Enquanto as outras crianças corriam por aí, em busca de tudo que ela sabia que existia, embora não pudesse tocar.
Todos cresceram, ela e as crianças. Hoje, adultas, querem retornar à sua caverna. Ela, sente-se mal, pensa que deveria acolhê-los, mostrar-lhes os segredos e prazeres da caverna. Mas, ao mesmo, percebe que aquelas viagens feitas pelos outros mudou muito. Outras gírias, novos modos. Sua caverna foi moldada, todos esses anos, de maneira que ela pudesse ser feliz ali. Fica difícil deixar essa gente toda entrar. Desconfortável até. Não queria que a julgassem mal. Mas ela preferia, de verdade, que deixassem ela curtir a Caverna em paz, afinal, faz anos que ela luta por isso. Vão curtir seus Vales.

sexta-feira, setembro 03, 2010

Difícil lidar com a paz. Primeiro, como reconhecê-la? Nomea-la, diferenciar ela de todos os outros momentos em que só era uma leve brisa de sossego, a espera de algum desastre.
Acho que a paz repousa na certeza de que não há plenitude. Tudo precisa do equilíbrio. Saber que ela pode hesitar e simplesmente desaparecer, mas que voltará, tão logo as coisas se ajeitarem.
Nesse momento em que colho frutos, só preciso estar atenta. Atenta, não acuada. Não esperando o pior. Apenas aproveitando, sem me esquecer que erros foram cometidos. Por mim, principalmente. Não posso controlar os erros alheios, somente os meus. Então, cabe a mim não repeti-los.
Tentarei me equilibrar em meio a essas borbulhantes experiências. Provarei do novo, sem ignorar o que aprendi com o passado. E se há um conselho que eu dou, nesse momento, é:
"Não há mal que sempre dure, nem bem que não se acabe."